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Praia

Manifesto
Público

Contra o sombreamento
e pela integralidade das
praias de Salvador

Benefícios

Salvador não é mercadoria.

Salvador é território vivo, tecido por relações entre povo, natureza, cultura e história.

 

Sua identidade emerge da convivência entre sol, praia, mar, corpos e modos de vida. O que está em curso na orla costeira de Salvador não é apenas um projeto urbanístico. É a imposição de um modelo de cidade que transforma bens públicos em ativos privados, que submete a vida coletiva à lógica do mercado dos fundos imobiliários e que compromete, de forma irreversível, aquilo que pertence a todos.

 

O “projeto de sombreamento” das praias, legitimado por parâmetros estabelecidos no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU/2016) e na sua Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (LOUOS/2016), encurta, arbitrariamente, o direito ao sol nas praias. Restringe o tempo total de irradiação solar nas praias de Salvador (geralmente, das 5h37 às 17h40) reduzindo-a a seis horas (das 9h às 15h). Desta legislação emergem novos e inusitados segmentos econômicos especulativos: o dos “produtores de sombras”, o dos produtores e mascates de “edificações degradadas” e uma trupe de regeneradores urbanos. Atuando sem nenhum respeito à identidade de Salvador.

 

Quem decidiu que a irradiação do sol nas praias pode ser limitada? Sob quais fundamentos jurídicos e éticos se autoriza a privatização da luz do sol? Quem autorizou que a sombra de prédios privados avance sobre praias públicas e o mar?

A Praia do Buracão tornou-se símbolo desse debate. A construção de torres residenciais de grande porte, projetadas na primeira linha da orla, não impacta apenas um lote — impacta a cidade inteira. As sombras que esses edifícios projetarão não respeitam muros, não reconhecem limites privados: elas avançam sobre a areia, sobre o mar e arrecifes, alteram o ambiente costeiro, eliminam a vida marinha, comprometem a paisagem e restringem o uso coletivo de um bem público, Isso não é apenas uma questão técnica. É uma questão de Direito à Cidade, à função socioambiental da propriedade e aos princípios constitucionais da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

 

Desta forma, a Praia do Buracão tornou-se expressão concreta do conflito entre o direito coletivo ao território e a expansão predatória de certos agentes imobiliários sobre ecossistemas costeiros sensíveis, configurando danos ambientais irreversíveis.

Praias são bens públicos, espaços de convivência social, de cultura, de saúde, de liberdade. São territórios de todos e sua integridade ecológica e acesso coletivo constituem direitos. Quando uma intervenção privada reduz sua qualidade, altera suas condições naturais ou limita sua fruição, estamos diante de uma forma silenciosa e progressiva de privatização de um bem público.

 

A verticalização intensiva da orla costeira ameaça romper a relação histórica entre Salvador e seu litoral. A paisagem deixa de ser horizonte aberto e passa a ser obstáculo. O vento muda. A temperatura muda. A experiência da praia muda. E, pouco a pouco, muda também o sentido de pertencimento e Salvador passa a ser uma cidade singular para ser uma cidade genérica.

 

Se esse modelo for consolidado, um definitivo precedente estará criado: praias sombreadas, fragmentadas, subordinadas à lógica da especulação imobiliária. Uma cidade onde o interesse privado se sobrepõe ao direito coletivo. Uma cidade onde o sol, a praia e o mar — elementos essenciais da sua identidade — passam a ser tratados como variável negociável.

Não podemos aceitar isso. Isto não pode ser aceito como destino urbanístico de Salvador.

 

É necessário interromper este modelo urbanístico e de violação em curso, com responsabilidade coletiva e institucional.

Rejeitamos:

  • A cidade tratada como mercadoria;

  • A flexibilização das normas urbanísticas em favor de interesses privados;

  • A privatização indireta dos espaços públicos;

  • A omissão institucional diante de impactos previsíveis e de danos irreversíveis.

 

Defendemos:

  • O direito ao sol nas praias de Salvador;

  • A preservação da paisagem como patrimônio coletivo;

  • O respeito à função social da cidade e da propriedade;

  • A proteção das praias como espaços públicos de uso comum e de integridade ecológica;

  • A revisão imediata dos parâmetros urbanísticos que permitem o sombreamento da faixa de areia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Salvador é uma cidade talássica. Sua identidade está inscrita na relação entre cidade, mar, sol e praia. Não se trata apenas de paisagem — trata-se de modo de vida, de cultura, de história.

 

Quando um prédio projeta sombra sobre a praia, não afeta um vizinho. Afeta toda a população. Até que ponto vamos permitir que privatizem o horizonte? Até que ponto aceitaremos que a sombra avance sobre o que é de todos?

 

O sol é propriedade natural do Universo, essencial para a vida na Terra. O sol é público. A praia é pública. A cidade é de todos.

 

Salvador resiste nos seus 477 anos de Fundação.

Este manifesto é um chamado público:

  • À sociedade civil.

  • Às instituições públicas.

  • Às instancias da Justiça, aos Senhores Juízes e aos Senhores Desembargadores Aos Ministérios Públicos.

  • À Câmara Municipal de Salvador

  • À Assembleia Legislativa do Estado da Bahia

  • Ao Serviço do Patrimônio da União (SPU)

  • Às instituições financeiras e organismos internacionais

  • À Comissão do Meio Ambiente da Bolsa de Valores

  • Às Empresas que possuem Código de Conduta e de Política de Sustentabilidade, como a NOVONOR, entre outras instituições públicas e privadas.

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Homem abstrato na praia

Movimentos ambientalistas que aderiram ao manifesto

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Salvador, BA | 01/05/2026

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